Ainda muito tonto Carlos acorda sendo arrastado pelo centro da sala por uma mulher que, com muita dificuldade, o conduz para fora segurando uma mescla de sangue e suor que seu corpo se tornou. Jazia na sala dois corpos de homens encapuzados mortos um com um tiro certeiro na cabeça e o outro baleado no peito.
O Rio de Janeiro não estava em seus bons dias porem a violência estava em segundo plano nos jornais, o foco maior estava no fato de uma imensa bacia de petróleo, dizem que dará ao Brasil um posto maior do que a Arábia tem no mundo atual. Ela está sendo disputada ferozmente por todos os políticos e estados do Brasil, tudo porque o presidente pretende repartir parte do lucro por todos os estados. Esse é o famoso pré-sal, o achado do século das indústrias petrolíferas.
Depois desse fato cada grande político do Brasil estava voltado para Brasilia, tentando influenciar na lei que regulamentará toda a distribuição dessa riqueza que será explorada. Carlos trabalhava como programador de softwares e a essa altura não entendia como, Brasilia e essa confusão toda, se encaixava na sua vida.
Carlos estava agora sendo levado pelo corredor do prédio e ao chegar na entrada foi logo colocado em um taxi que parecia ja esta a espera dos dois.
- Estação central do Brasil, rápido. ela disse ao motorista.
- Quem é você? o que está acontecendo? foi você que fez aquilo tudo?
Carlos estava sentado com a mão em seu ferimento tentando estanca-lo e aquela mulher mal encarada e ruiva parecia não ser da polícia porem Carlos estava feliz por estar vivo.
Ela o conduziu até o andar inferior do terminal de trens da central do brasil, acessando uma porta lateral que parecia ser uma entrada para funcionários. Chegando num corredor estreito logo entraram em uma porta escrita "Almoxarifado". Ao passar pela porta logo se percebia um grosso tapete numa pequena sala que mais parecia uma cela. A mulher retirou o tapete a abriu um alçapão que se mostrou. Desceram a escadaria para um longo corredor muito escuro que, após uma curva no seu final, daria para uma serie de salas com portas de ferro muito enferrujadas em uma parede sem outras saídas. Entraram na primeira sala a esquerda que havia um numero escrito a giz "343", e só depois disso ele conseguiu perguntar algo.
- Qual o seu nome?
Carlos olhava para aquela ruiva toda vestida de preto.
- Alicie, você teve sorte hoje. Eles mataram Ana e estavam esperando você.
Respondeu a ruiva com um olhar de alivio.
Carlos se enfureceu.
- Olha para mim, estou todo cheio de sangue, você acha isso sorte?
Alicie respondeu no mesmo nível.
- Era para você estar morto essa hora, de Graças a Deus! eu cheguei a tempo de levar você.
Os olhares estava se fitando cada vez com mais energia a ponto de dar choque.
- Olha só... não sei que é você ou o que você quer, mas tenho que ir, por favor, eu não tenho nada a ver com isso.
Carlos agora estava começando a ficar com medo ao perceber que estava trancado junta a uma mulher que a pouco tempo assassinou dois homem a sangue frio.
- Calma. Enquanto você estiver comigo você estará bem. Agora me conta tudo que a Ana falou com você ontem, talvez você possa sair rápido dessa situação.
Falou Alicie com um olhar tranqüilo e começou a explicar que aqueles homens eram de um grupo terrorista que pretendia explodir Brasilia para zerar todo cenário político brasileiro.
Carlos então perguntou:
- Eu vi Brasilia destruída hoje pela manhã e logo a tarde não havia mais nada na tv... o que está acontecendo?
- Esse vídeo foi reproduzido por todas as emissoras e foi criado pelos terroristas para ameaçar o governo caso aprovem a distribuição desigual dos lucros com o pré-sal. Acho que você não viu até o fim e perdeu a hora em que a emissora explicava que era apenas um vídeo logo após a liberação da rede. Eles hackearam a tv digital brasileira.
Explicou Alicie rindo.
Agora Alicie começava a escutar toda a história do dia anterior de Carlos e anotava tudo com muita atenção.
- Preciso dessa Carta da morte ! é uma carta que representa a mudança, é nossa maior pista. É mais do que uma simples carta... contando que era da Ana.
Disse Alicie com um ar de felicidade.
continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário